Arquivo mensal: Março 2015

Aulas de Zumba no Centro Comunitário

Ritmo, diversão e movimento…Aulas de Zumba já em Abril!
Encontram-se abertas as inscrições para as aulas de Zumba.
Todas as quartas-feiras, às 20h00 no Auditório da APPV, Aulas de Zumba com a Prof. Ana Portela.
As inscrições devem ser feitas na secretaria da APPV.
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Reviver a História Firmando Raízes

Por ocasião da inauguração da Comunidade Terapêutica.

A 23 de outubro de 1998 era inaugurada a Comunidade Terapêutica Casa Grande, no lugar da Vergada, freguesia de Mozelos.

Era o culminar de uma longa batalha, pela criação desta resposta de apoio ao tratamento e reinserção de toxicodependentes.

Foram muitos os obstáculos que tiveram que ser ultrapassados, desde os aspetos de ordem financeira até à resistência por parte de algumas franjas da população que não via com agrado a abertura da comunidade terapêutica. Com muito trabalho, esforço e perseverança conseguiram-se reunir as condições que permitiram materializar esta realidade.

Foi mais um marco importante no reconhecimento que a toxicodependência deve ser vista como uma doença, contribuindo sem dúvida para afastar a visão estigmatizante que infelizmente se encontra associada a esta patologia.

Cremos que o tempo nos veio a dar razão. A Comunidade Terapêutica encontra-se perfeitamente integrada no meio; contribuiu para a recuperação de vários toxicodependentes e mais recentemente alcoólicos; contribuiu para quebrar preconceitos; sendo, igualmente, uma das valências da Associação com mais reconhecimento externo.

Na inauguração estiveram presentes, entre outros, o Presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, Alfredo Henriques, o Bispo do Porto D. Armindo Lopes Coelho e o Ministro- adjunto do Primeiro-ministro, José Sócrates.

Comunidade Terapêutica Casa Grande

 

Conversas com… Alfredo Henriques

Alfredo Henriques, com toda a disponibilidade e simpatia que lhe é inerente, conversou connosco a respeito da sua vivência com a associação, na qualidade de um dos fundadores desta casa e 1º Presidente da Assembleia Geral.

Resultou deste encontro a presente conversa, que se reveste oportuna, não só porque a APPV já completou 20 anos, com um trabalho de destaque na nossa comunidade, mas principalmente porque cada vez mais se estreitam laços do presente com a sua história.

APPV – Como sócio fundador desta associação, passados 20 anos, tem ainda presente, as motivações que levaram a criação desta instituição?

AH – A Associação Pelo Prazer de Viver (APPV) desde o início teve como objetivo e tinha como intenção o apoio aos toxicodependentes, mas alargou para outras áreas que não tinham nenhuma cobertura a nível concelhio, como seja o caso do apoio aos mais desfavorecidos, e envolveu-se muito nessas causas. Foram áreas que não eram normais no âmbito da atuação das IPSS’s. E por esse motivo, quando o padre Bernardino se envolveu na criação desta associação, eu tive logo a sensação, a perspetiva de que iria ser uma associação diferente da generalidade das associações. A APPV teve o mérito de sair da esfera de atuação que era tradicional às outras IPSS’s do concelho.

 APPV – Há data, recorda quais os problemas sociais mais prementes do concelho?

AH – A toxicodependência era vista como sendo um grave problema. A própria Câmara da Feira envolveu-se grandemente no combate a este flagelo, ao ponto de construir de raiz um edifício onde está instalada uma unidade de tratamento. Mas este não foi um processo fácil. Muita gente não aceitava que se fosse construída uma casa de apoio aos toxicodependentes no concelho da Feira. Tivemos algumas guerras, felizmente conseguimos, a Câmara e a Associação, alterar algumas dessas mentalidades.

 APPV – Sabendo que o senhor foi sempre um elemento muito ativo na vida da APPV, consegue eleger um momento particularmente marcante no decorrer dos vários mandatos nos quais fez parte?

AH – Há duas questões que para mim foram as mais marcantes. Por um lado todo o envolvimento que a Associação teve nas questões da toxicodependência, e o trabalho conjunto com a Câmara, no derrubar de barreiras para que esta questão fosse assumida como sendo um problema social. Por outro, foi também marcante, todo o processo que envolveu a construção do edifício do Centro Comunitário, e o assumir de responsabilidades para o desbloquear de situações que poderiam comprometer a sua execução.

 APPV – Sente que a sua atuação foi importante para o ultrapassar de algumas barreiras?

AH – Não quero assumir um papel que não tive. A minha atuação enquanto Presidente da Câmara passava por estar presente junto das associações do concelho. Estas muitas vezes vinham ter com o presidente da câmara apresentar os seus problemas. Em relação à APPV, é possível que numa ou noutra ocasião me tenham apresentado algum problema e eu estivesse em condições de ajudar a resolver e tenha dado o meu contributo. Mas não era essa a minha atuação no dia-a-dia. Agora lembro-me de ter alguma intervenção e alguma magistratura de influência junto do empreiteiro que construiu o edifício do Centro Comunitário porque, em dado momento, as posições acabaram por extremar. Era um problema financeiro e um problema grande e eu lembro que exerci alguma influência junto ao empreiteiro para suavizar e encontrar um caminho para a resolução do problema.

 APPV – Qual a avaliação do impacto do trabalho que APPV desenvolve na feira?

 AH – O trabalho da APPV no concelho teve um impacto que extravasou em muito as fronteiras da freguesia de Mozelos. Em termos de IPSS’s, a APPV foi aquela que cobriu um território maior, alargando a sua atuação a praticamente todo o Concelho. Exatamente por ser a única nalgumas valências. E isso levou a que, como não havia mais nenhuma dentro do concelho, as pessoas recorressem e ela, mesmo das freguesias mais longínquas de Mozelos.

 APPV – Quais as orientações que Associação deveria de abraçar para dar resposta às problemáticas atuais e futuras que na sua opinião marcam a nossa sociedade?

AH – Eu, atualmente, não tenho uma visão geral dos problemas do concelho. Agora, aquilo que é comum ouvirmos e infelizmente não é só no concelho, um dos problemas das famílias é a pobreza e mais concretamente o problema da pobreza envergonhada. E eu acho que, não descorando um problema que foi também uma das razões da criação da APPV que foi a toxicodependência e que infelizmente continua, há hoje este aspeto da pobreza que se agravou e que deve ser acompanhado. Hoje há no concelho da Feira algumas outras associações que se dedicam igualmente a esta problemática, eu sei que a APPV também colabora com algumas dessas associações, sendo esta uma intervenção que é importante que a APPV tenha em atenção.

 APPV – Tendo em conta a sua vasta experiência enquanto autarca, que sempre deu uma atenção muito especial às questões sociais, como gostaria que a Associação viesse a ser reconhecida num futuro a médio longo prazo?

AH – O reconhecimento da APPV passa pela continuação do seu trabalho, sem estar focada na perspetiva de vir a ser reconhecida como sendo muito melhor do que as outras. Tem é de continuar o trabalho que tem estado a fazer. E se neste momento a sociedade reconhece o papel importante que a APPV está a fazer, se as entidades reconhecem, se a câmara reconhece e tem reconhecido o papel importante que a APPV tem tido no território do concelho da Feira, só tem que continuar esse trabalho e naturalmente ir acompanhando a evolução das necessidades ao nível social. Esta pergunta que me fazem demonstra essa preocupação, acompanhar as novas necessidades, as necessidades da sociedade que nos envolve e se continuar a fazer isso. Naturalmente que daqui 20 anos vai continuar a ser reconhecida como é hoje, pelo bom papel e pelo bom trabalho que está a fazer.

 APPV – Na sua opinião, não acha que as empresas deveriam de ter um envolvimento maior nestas questões sociais? O que pode ser feito para que as empresas estejam mais envolvidas nesta área?

AH – Há algumas empresas que têm um papel social mais voltado para dentro da própria empresa, junto dos seus colaboradores. A culpa não é só das empresas, tem de haver um trabalho junto dos empresários para os sensibilizar para o apoio a esta área. Como terá de ser feito? Não sou especialista nestas questões, mas deve ser feita uma análise de como chegar a esses empresários, sendo que isso tem de ser feito com pessoas que tenham esse conhecimento, pois, a comunicação e a maneira como se faz a comunicação são muito importantes. Tem de haver uma envolvência, os nossos empresários são humanos e tem o seu sentido da responsabilidade, muitas vezes gostam de mostrar aquilo que fazem, dar visibilidade é fundamental.

 

 alfredo

 

Dia Internacional da Mulher

No dia 8 de março de 2015, no âmbito do Dia Internacional da Mulher realizou-se uma aula de zumba, no auditório da APPV. A actividade contou com cerca de 80 pessoas da comunidade. Ritmo e diversão foram o mote desta iniciativa!!!

 

 

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Carnaval 2015

A Orquestra Sempr’a Bombar marcou presença na frente do desfile de Carnaval de Mosteirô pelo segundo ano consecutivo. Esta iniciativa decorreu no perímetro fechado da zona industrial de Mosteirô, no dia 15 de fevereiro de 2015, o chamado dia Domingo Gordo.

Reflexão

Necessidade de Igualdade e de Mudança

 “Temos o direito de ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito de ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades.” Boaventura de Sousa Santos

 A metáfora “especialistas de mãos vazias” ainda nos qualifica, ainda vamos para o terreno sem uma solução concreta. Mas partimos para o terreno com a convicção de que haverá a participação de todos no processo de construção de um projeto de vida.

Com a evolução dos tempos e com o surgimento de novas perspetivas no âmbito da gestão do social, tornaram-se emergentes respostas mais adequadas e adaptáveis às situações de exclusão. Respostas que vão mais além do assistencialismo e da caridade, dando lugar à solidariedade contemporânea e cidadania activa. A solidariedade contemporânea e a cidadania activa podem traçar um percurso, onde se renove uma nova visão democrática, onde se garanta os direitos e deveres sociais e se apele à responsabilidade social de todos os actores da sociedade.

O trabalho de terreno, de uma equipa multidisciplinar, deverá contemplar criatividade, inovação, capacidade de compromisso, espírito crítico, ausência de juízos de valor, respeito pela diferença e mediação. Acreditar sempre de que embora não se reabilite na sua totalidade um projeto de vida, é possível gerar comportamentos que levem a uma mudança significativa. Antes de tudo temos de ter sempre presente de que trabalhamos com pessoas e para as pessoas.

Não nos podemos esquecer que diariamente vamos depararmo-nos com o sofrimento humano, com a desigualdade, com a injustiça, mas que tudo faremos para que não se “reproduzam desigualdades” e que as combateremos sempre!

Vivemos “paredes meias” com problemáticas que necessitam urgentemente de respostas, o trabalho de terrenos da APPV vai de encontro às necessidades, tendo como pressupostos a Participação, a Integração, a Informação e a Igualdade de Oportunidades.

Margarida Alfama

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Testemunho

“Considero-me sortuda por ter tido, e ainda ter a oportunidade de fazer parte deste “grupo”….”

Entrei na Associação Pelo Prazer de Viver em 2010, quando tinha apenas nove anos. Na altura ainda tinha uma enorme parte do meu desenvolvimento, tanto físico como psicológico pela frente (assim como ainda tenho hoje, para dizer a verdade), e sei com grandes certezas que o facto de os meus pais me terem inscrito no ATL me ajudou a crescer. Era bastante estranho no início, tenho de admitir – ver pessoas muito mais velhas do que eu, já a falar de cursos e profissões que queriam seguir, fazia-me sentir intimidada -, mas ao fim de um tempo, graças a todas as funcionárias e às pessoas que lá trabalham no geral não tardei a considera-los a todos como uma segunda família.

 A minha entrada no grupo de percussão Sempr’a Bombar é talvez das coisas que ainda hoje, fazendo parte do grupo, considero extremamente importantes. A oportunidade de explorar uma outra parte de mim, (neste caso, ligada à música) que nem eu sabia que tinha é algo que considero excecional, assim como a oportunidade de conviver ainda mais com miúdos da minha idade e um pouco mais velhos também. Acabo então por chegar à conclusão de que, entre outras coisas, o objetivo de Associação sempre foi esse.

Ajudar-nos a crescer como pessoas, obrigando-nos a explorar o “desconhecido” e a ouvir e ver diferentes maneiras de pensar, sendo essa a única maneira de nos expandirem os nossos horizontes e de nos tornarem seres humanos capazes e úteis para a sociedade. Eu, pelo menos, vejo-me como sendo uma rapariga inteligente e de mentalidade aberta, e sei que não seria assim acaso não tivesse andado durante alguns anos na APPV. Vejo diversos colegas e colegas minhas sem objetivos na vida, que se limitam ao que podem tocar e não tentam ir mais longe do que isso – e fico feliz por na Associação sempre nos terem incentivado a ir mais longe e a fazer mais do que aquilo que julgamos que somos capazes.

A diversas atividades que são feitas têm sempre uma finalidade pedagógica e/ou social, tais como ensinar as crianças sobre matemática e português, e sobre como viver num grupo como a sociedade. Considero-me sortuda por ter tido, e ainda ter a oportunidade de fazer parte deste “grupo”, e era sem dúvida algo que aconselho a toda a gente.

Não sei como agradecer à APPV por toda a ajuda e pelo enorme papel que tiveram em todo o meu crescimento, e sei que, por muitos anos que passem, nunca me irei esquecer deles e de todos, ou pelo menos de muitos bons momentos que ali passei.

Inês Santos, 14 anos

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